domingo, 20 de dezembro de 2015

OS TR?S PILARES DA METODOLOGIA DA PESQUISA CIENT?FICA: UMA REVIS?O DA LITERATURA

Autoria:
GIFTED, ?laze Gabriel. Os três pilares da metodologia da pesquisa científica: uma revis?o da literatura. Revista ?gora. Unimes Virtual. Volume 1. Número 1. Dezembro de 2015. 

Forma??o do autor:
Graduado em Gest?o Empresarial (2012);
Pós graduado no MBA em finan?as e controladoria UBC (2014);
Pós graduado em Docência e Pesquisa para o Ensino Superior (2015).


RESUMO

O artigo busca refletir sobre os três pilares constituintes da metodologia da pesquisa científica, quais sejam: o epistemológico, o lógico e o técnico. Realiza de forma bastante abrangente, porém n?o exaustiva, uma revis?o da literatura crítica sobre o tema, buscando clarear a sua correta compreens?o e o seu adequado uso. Para tanto, utiliza: o método crítico-dialético, ou histórico-estrutural, como a base lógica da sua investiga??o; o método hipotético-dedutivo, como a base da sua estrutura de pensamento; e o método observacional n?o participante, do tipo bibliográfico, como a base procedimental da sua investiga??o. Conclui que, no que tange aos óbices para o progresso científico, dentre os principais est?o as imperfeitas interpreta??es humanas e as más adequa??es e ou aplica??es dos métodos de pesquisa por parte do pesquisador. Por fim, considera e apresenta a ética como elemento propulsor da autêntica cientificidade.

Palavras-chave: Pesquisa científica. Metodologia científica. Ensino Superior.

THREE PILLARS OF THE METHODOLOGY OF SCIENTIFIC RESEARCH: A LITERATURE REVIEW

ABSTRACT

The article seeks to reflect on the three constituent pillars of the scientific research methodology, namely: the epistemological, logical and technical. It performs quite comprehensive, but not exhaustive review of the critical literature on the subject, trying to lighten their correct understanding and proper use. For this, use: the critical-dialectical method, or historical-structural, as the rationale for their research; the hypothetical-deductive method, as the basis of his thought structure; and the non-participant observational method, the bibliographical, procedural as the basis of their research. It concludes that, with respect to obstacles to scientific progress, are among the main imperfect human interpretations and bad adjustments and or application of research methods by the researcher. Finally, it considers and presents ethics as propellant element of authentic scientific.

Keywords: Scientific Research. Scientific methodology. Higher education.

TRES PILARES DE LA METODOLOG?A DE LA INVESTIGACI?N CIENT?FICA: UN ESTUDIO DE LA LITERATURA

RESUMEN

El artículo pretende reflexionar sobre los tres pilares que constituyen la metodología de la investigación científica, a saber: el epistemológico, lógico y técnico. Se realiza revisión bastante completa, pero no exhaustiva de la literatura crítica sobre el tema, tratando de aligerar su correcta comprensión y uso adecuado. Para ello, utilice: el método crítico-dialéctico o histórico-estructural, como la justificación de su investigación; el método hipotético-deductivo, como base de su estructura de pensamiento; y el método de observación no participante, la bibliográfica, procesal como la base de sus investigaciones. Llega a la conclusión de que, con respecto a los obstáculos para el progreso científico, son algunas de las principales interpretaciones imperfectos humanos y malos ajustes y o la aplicación de métodos de investigación por el investigador. Por último, se considera y presenta la ética como elemento propulsor de la auténtica científica.

Palabras clave: Investigación Científica. La metodología científica. Educación Superior.


INTRODU??O

A Metodologia, enquanto disciplina, preocupa-se, a priori, com o estudo das fases, das abordagens e dos meios lógicos de investiga??o de um determinado objeto. O termo metodologia deriva-se da express?o latina “methodus” que significa caminho ou meio para a realiza??o de algo, e da express?o grega “logos” que significa estudo, análise. Logo, metodologia da pesquisa vem a ser, a priori, o estudo dos meios ou caminhos adequados para se investigar um objeto (BARROS e LEHFELD, 2000, 2007).
Existem vários critérios para se classificar ou se caracterizar a pesquisa científica, dentre eles a natureza, o modo da obten??o das informa??es, a abordagem e os objetivos (RODRIGUES, 2006; GIL, 2010). Por exemplo, quanto à natureza a pesquisa científica pode ser um trabalho original, primário, ou um resumo ou uma resenha de assuntos, secundário; quanto à obten??o de informa??es, ela pode ser bibliográfica, documental, de campo ou de laboratório; quanto à abordagem, ela pode ser quantitativa, qualitativa ou mista; quanto aos objetivos, ela pode ser exploratória, descritiva ou explicativa (CRESWELL, 2010; RODRIGUES, 2006).
O que Gil (1999) denomina métodos que determinam as bases lógicas de investiga??o e métodos que indicam os meios técnicos de investiga??o, o geógrafo Rodrigues (2006) denomina métodos de abordagem e métodos de procedimento, respectivamente. Neste diapas?o, Rodrigues (2006, p. 137-143) apresenta, sinteticamente, cinco métodos de abordagens, quais sejam:


O método indutivo é aquele pelo qual uma lei geral é estabelecida a partir da observa??o e da repeti??o de regularidades em casos particulares, isto é, por meio de observa??es particulares, chega-se à afirma??o de um princípio geral. [...]
Ao contrário da indu??o, o método dedutivo é um processo de raciocínio lógico que, a partir de princípios e proposi??es gerais ou universais, chega a conclus?es menos universais ou particulares. [...]
O método hipotético-dedutivo [...] consiste na formula??o da no??o de falseabilidade como critério fundamental para a explica??o das teorias científicas. [...]
O método dialético procura contestar uma realidade posta, enfatizando as suas contradi??es. Para toda tese, existe uma antítese que, quando contraposta, tende a formar uma síntese. [...]
O método fenomenológico é o estudo dos fen?menos, em si mesmos, apreendendo sua essência, estrutura de sua significa??o. [...] A fenomenologia consiste na descri??o de todos os fen?menos [...]
(grifos meus)


Em seguida, Rodrigues (2006, p. 143-149) apresenta sinteticamente oito métodos de procedimento, a saber:


O método estatístico fundamenta-se na utiliza??o da estatística para a investiga??o de um fen?meno ou objeto de estudo. Esse método contribui para a coleta, a organiza??o, a descri??o, a análise e a interpreta??o de dados, e para a utiliza??o desses dados na tomada de decis?es. [...]
O método comparativo conduz à investiga??o por meio da análise de dois ou mais fatos ou fen?menos, procurando ressaltar as diferen?as e similaridades entre eles. [...]
O método experimental consiste em submeter o fen?meno estudado à influência de certas variáveis, em condi??es controladas e conhecidas pelo pesquisador, para verificar os resultados que essas variáveis produzem no objeto. [...]
O método tipológico consiste na elabora??o de modelos ideais que servem para análise ou avalia??o de uma realidade concreta. [...]
O método histórico conduz à investiga??o a partir do estudo dos acontecimentos, dos processos e das institui??es do passado, procurando explicar sua influência na vida social contempor?nea. [...]
O método funcionalista estabelece uma analogia entre a sociedade e o organismo. Estuda os fen?menos sociais a partir de suas fun??es, analisando as partes inter-relacionadas e interdependentes para compreender o funcionamento do todo, isto é, o sistema social total. [...]
O método estruturalista é utilizado para o estudo de culturas, linguagens, etc., como um sistema em que os elementos constituintes mantém, entre si, rela??es estruturais. [...]
O método clínico é usado principalmente por psicólogos em uma rela??o entre o pesquisador e o pesquisado. [...]


Com base nesses pressupostos apresentados por Gil (1999; 2010) e por Rodrigues (2006), percebe-se que essas maneiras exemplificadas de dimensionar a Metodologia s?o bastante confusas, imprecisas, incoerentes, visto que, valendo-se do princípio lógico da n?o contradi??o, os pilares epistemológico, lógico e técnico diferem entre si, n?o podendo ser partes integrantes um do outro, embora os três componham os pilares fundamentais da metodologia da pesquisa científica. Inobstante, n?o somente essa, mas as divis?es em geral atualmente adotadas para os pilares metodológicos da pesquisa científica s?o igualmente confusas e longe passam de abarcar todos os seus principais aspectos e, amiúde n?o facilitam o trabalho do pesquisador quando de sua investiga??o (TEIXEIRA, 2012; BARROS e LEHFELD, 2000; GIL, 1999; 2010; RODRIGUES, 2006).
A percep??o da imensa imprecis?o terminológica, conceitual, taxon?mica e conteudal presente na vasta literatura crítica consultada sobre a metodologia da pesquisa científica foi a minha principal motiva??o para a constru??o desse compêndio. Ent?o, quando eu observei atentamente as palavras de Barros e Lehfeld (2000; 2007), eu constatei que elas deixam facilmente compreendido que os pilares metodológicos da metodologia da pesquisa científica consistem em três eixos fundamentais: a base epistemológica de investiga??o, que indica a forma de conceber a ciência, o homem e o mundo em que ela é produzida; a base lógica de investiga??o, que indica a estrutura dos pensamentos e a sequência das fases da pesquisa; e a base técnica de investiga??o, que indica os ritos procedimentais, no que concerne à(s) abordagem(ns), à(s) técnica(s) e aos instrumentos utilizados. Na perspectiva de dimensionar a divis?o da Metodologia de uma maneira mais precisa, coerente e consistente eu considero os seus dizeres (BARROS e LEHFELD, 2000, p. 13) como fundantes do presente trabalho:


[…] é possível dimensionar a divis?o da Metodologia em três aspectos interconectados, ou seja, o epistemológico, o lógico e o técnico, elementos necessários à constru??o da Ciência:
a) Epistemológico: refere-se ao estudo das quest?es que se pode levantar na procura da verdade, discuss?o dos limites, alcance e valor dos métodos científicos (estudo crítico dos métodos científicos);
b) Lógico: sup?e a organiza??o lógica do raciocínio na prática da investiga??o e da a??o científica;
c) Técnico: é o científico das técnicas e procedimentos específicos utilizados e contextos particulares das pesquisas temáticas problematizadas nas diferentes ciências.


Embora haja algumas maneiras distintas de se apresentar a metodologia da pesquisa científica, conforme encontrado na literatura crítica sobre o tema (TEIXEIRA, 2012; BARROS e LEHFELD, 2000; 2007; GIL, 1999; 2010; RODRIGUES, 2006). Por exemplos, Gil (1999; 2010) e Rodrigues (2006), aquela que Barros e Lehfheld (2000; 2007) explana é, a meu ver, bastante coerente, raz?o pela qual é tomada como base para esse artigo, que se encontra em andamento, mas em fase avan?ada de elabora??o.
S?o três os pilares da metodologia científica apresentados por Barros e Lehfeld (2000; 2007), quais sejam: o epistemológico, o lógico e o técnico. No meu trabalho, que estou elaborando com fundamentos na vasta literatura crítica sobre o tema e com o auxílio das disciplinas cursadas em Gest?o de Negócios e no MBA em finan?as e controladoria bem como em outras que estou cursando na pós-gradua??o lato sensu em Docência e pesquisa para o ensino superior, onde há uma explana??o de forma bastante original cada um desses pilares. Para tanto, utiliza-se o método crítico-dialético, como o seu pilar epistemológico; o método hipotético-dedutivo, como o seu pilar lógico; e o método observacional n?o participante dos tipos bibliográfico e documental, como o seu pilar técnico.
Assim , é indubitável que, ao rever de forma t?o abrangente a literatura crítica do tema e ao apresentá-la com máxima clareza e objetividade, o autor cumpre a sua finalidade de desmistificar o processo da pesquisa científica, mostrando que, apresar de seu desenvolvimento ser bastante trabalhoso e rigoroso no que tange às normas técnicas de elabora??o e apresenta??o, consiste em uma tarefa relativamente simples e completamente realizável a todo(a) pesquisador(a), ainda que incipiente, e que se torna cada vez mais agradável na medida em que ele(a) ganha quilometragem nessa fantástica experiência.
Digno de nota que ao me aludir aos três pilares da metodologia da pesquisa científica, eu chamo à aten??o dois aspectos chave: primeiro, as bases constituintes da ciência, tal como as colunas bem ferramentadas e bem cimentadas que sustentam uma edifica??o, sem as quais a sua estrutura enfraquece, ou seja, a cientificidade da pesquisa se atenua ao ponto de se tornar vulnerável a qualquer teste de falseabilidade; e segundo, que o conteúdo aqui apresentado n?o exaure o tema investigado, consistindo naquilo que o autor considera o mais importante e necessário no processo de investiga??o científica, deixando, desse modo, margem para ulteriores aprofundamentos (TEIXEIRA, 2012; BARROS e LEHFELD, 2000; 2007; GIL, 1999; 2010; RODRIGUES, 2006).

O PILAR EPISTEMOL?GICO

O pilar epistemológico refere-se ao conjunto de pressupostos ontológicos, morfológicos, gnosiológicos, teóricos e éticos, norteadores da pesquisa científica em um nível estratégico. ?, portanto, o pilar estratégico, ou diretivo, da pesquisa científica. Considera sensivelmente a concep??o de homem, de vida, de mundo, de ciência e de ética que o pesquisador tem tanto quanto as suas rela??es com o objeto da sua investiga??o (GILES, 1979; PIAGET, 1973; K?CHE, 1997; TEIXEIRA 2012; EL-GUINDY, 2004; VERGARA, 2012). Por essas raz?es, os seus enfoques (métodos) podem ser apropriadamente denominados bases estratégicas da investiga??o ou bases diretivas constitucionais da investiga??o.
A base diretiva da investiga??o fenomenológico-hermenêutica concebe a ciência como a compreens?o dos fen?menos em suas diversas manifesta??es; o homem é tido como projeto, ser inacabado, ser de rela??es com o mundo e com os outros; defende a transi??o de uma vis?o sincr?nica, como que um “raio x” do fen?meno, para uma vis?o diacr?nica; defende a transcri??o de uma vis?o isolacionista, homogênea, n?o-conflitiva para uma vis?o din?mica. Seu caráter é cientificista, isto é, o conhecimento é teórico, abstrato, resultado do raciocínio. Ela tem por objetivo a explora??o descritiva do comportamento de um fen?meno, isto é, de um fato observado externamente. Por essa raz?o, o grau de aproxima??o entre sujeito pesquisador e objeto investigado por uma pesquisa dirigida por essa base é levemente sensível, e ela foca, n?o nas causas e nos efeitos, mas na descri??o da realidade do objeto investigado (TEIXEIRA 2012; VERGARA, 2012).
A base diretiva da investiga??o empírico-analítica concebe que a ciência tem como finalidade a procura das causas dos fen?menos e a explica??o dos fatos pelos condicionantes e os antecedentes que os geram; o homem é definido pelo seu perfil, é tido como recurso humano (imput) ou produto do processo (output), como agente, funcionário; considera uma preocupa??o sincr?nica: vis?o geral e instant?nea do objeto estudado (a foto do fato); defende uma vis?o fixista, funcional, predefinida e predeterminada. Seu caráter é tecnicista, isto é, o conhecimento é prático, aplicado, resultado da experiência. Ela tem por objetivo a experiência do objeto investigado, ou seja, o objeto é uma experiência vivenciada pelo sujeito pesquisador. Por essa raz?o, o grau de aproxima??o entre sujeito pesquisador e objeto investigado por uma pesquisa dirigida por essa base é ligeiramente sensível, o que facilita a precis?o na sua análise (TEIXEIRA,2012; VERGARA 2012).
A base diretiva da investiga??o crítico-dialética concebe a ciência como produto da a??o do homem e, portanto, tida como uma categoria histórica e a produ??o científica uma constru??o; o homem é tido tanto como ser social e histórico, determinado pelos múltiplos contextos como criador e transformador de múltiplos contextos; defende uma preocupa??o diacr?nica: vê a din?mica do objeto estudado, o movimento (o filme do real); defende um vis?o din?mica, conflitiva, heterogênea, ou seja, uma percep??o organizada da realidade que se constrói através da prática cotidiana do pesquisador e das condi??es concretas de sua existência. Seu caráter é historicista, ou seja, situado entre o caráter cientificista e o caráter tecnicista. Ela tem como objetivo a historiciza??o do objetivo investigado, levando-se em considera??o as suas causas e os seus efeitos nos campos cívico, moral, econ?mico, sociológico, tecnológico, religioso, político e científico da vida humana. Por essa raz?o, o grau de aproxima??o entre sujeito pesquisador e objeto investigado por uma pesquisa dirigida por essa base é moderadamente sensível, e ela é bastante comum nos estudos interdisciplinares (TEIXEIRA, 2012; VERGARA, 2012).

O PILAR L?GICO

O pilar lógico refere-se ao conjunto de pressupostos estruturais do pensamento, norteadores da pesquisa científica em um nível tático. ?, portanto, o pilar tático, ou gerencial, da pesquisa científica. Considera o ponto exato de partida do raciocínio utilizado bem como as nuances dos seus avan?os. Por essa raz?o, os seus enfoques (métodos) podem ser apropriadamente denominados bases táticas da investiga??o ou bases estruturais do pensamento da investiga??o (CRESWELL, 2010; TRIVI?OS, 1987).
A base estrutural de pensamento silogístico-indutiva, também denominada lógica teorética, é aquela que parte de um conjunto de proposi??es que seguem uma ou mais tendências teoréticas específicas (particulares) e ruma para conclus?es generalizadas (gerais). Por essa raz?o ela é mais utilizada em estudos cientificistas, ou seja, aqueles mais voltados para o campo das abstra??es. (MARCONI e LAKATOS, 2003; 2007; 2008; GIL, 1999; 2010).
A base estrutural de pensamento sem?ntico-indutiva, também denominada lógica produtiva, é aquela que parte de um conjunto de proposi??es que seguem uma ou mais tendências sem?nticas específicas (particulares) e ruma para conclus?es generalizadas (gerais). Por essa raz?o ela é mais adequada para estudos historicistas, cujas sem?nticas precisam ser interpretadas sempre levando-se em considera??o as causas e os efeitos do objeto investigado em todos os campos da vida humana. (MARCONI e LAKATOS, 2003; 2007; 2008; GIL, 1999; 2010; CHAU?, 2008).
A base estrutural de pensamento pragmático-indutiva, também denominada lógica prática, é aquela que parte de um conjunto de proposi??es que seguem uma ou mais tendências pragmáticas específicas (particulares) e ruma para conclus?es generalizadas (gerais). Por essa raz?o ela é mais adequada para estudos tecnicistas, ou seja, aqueles mais voltados para o campo das técnicas. (MARCONI e LAKATOS, 2003; 2007; 2008; GIL, 1999; 2010; CHAU?, 2008).
A base estrutural de pensamento axiomático-dedutiva é aquela que parte de um conjunto de axiomas genéricos (gerais) e ruma para conclus?es específicas (particulares). Normalmente ela é mais utilizada na área das ciências exatas e da natureza, devido ao fato de seus estudos, em geral, serem cientificistas, ou seja, mais voltados para o campo das abstra??es. (CRESWEL, 2010; GIL, 1999; 2010).
A base estrutural de pensamento hipotético-dedutiva é aquela que parte de um conjunto de hipóteses (possibilidades) genéricas e ruma para conclus?es específicas (particulares). Essa base é bastante comum tanto nos estudos historicistas, quanto nos tecnicistas e nos cientificistas, sejam eles das ciências humanas, exatas, sociais, da vida, da natureza, etc. (CRESWEL, 2010; GIL, 1999; 2010).
A base estrutural de pensamento silogístico-dedutiva é aquela que parte de, e somente de, duas proposi??es, uma genérica e uma específica, chamadas de premissas, conduzindo o raciocínio a uma conclus?o particular óbvia. Essa base nasceu com o renomado filósofo Aristóteles, era em sua época a mais utilizada, tanto na forma dedutiva quando na indutiva, sendo hoje mais frequente em estudos cientificistas. (CRESWEL, 2010; GIL, 1999; 2010; CHAU?, 2008).

O PILAR T?CNICO

O pilar técnico refere-se ao conjunto de pressupostos de abordagem, de modalidade sequencial (pesquisa mista), de base e subbase procedimentais (pesquisa observacional), de técnicas e subtécnicas, de instrumentos, de recursos (inclusive o tempo) e de lócus, norteadores da pesquisa científica em um nível operacional. ?, portanto, o pilar operacional, ou funcional, da pesquisa científica. Considera as fases pré-implementatória (trabalho ou reda??o de ensaio), implementatória (execu??o do trabalho ou da reda??o de ensaio) e pós-implementatória (publica??o dos resultados finais) da investiga??o científica (MARCONI e LAKATOS, 2003; 2007; 2008; GIL, 1999; 2010; ECO, 2012; THIOLLENT, 2003; 2011; YIN, 2010). Por essa raz?o, os seus enfoques (métodos) podem ser apropriadamente denominados bases operacionais da investiga??o ou bases funcionais da opera??o de investiga??o .
As abordagens de investiga??o podem ser qualitativa (dados e linguagem alfabéticos), quantitativa (dados e linguagem numéricos) e mista (um pouco quali, um pouco quanti) (CRESWELL, 2010; RODRIGUES, 2006).
As modalidades sequenciais, inerentes aos métodos mistos de investiga??o, podem ser estratégia explanatória sequencial, estratégia exploratória sequencial, estratégia transformativa sequencial, estratégia de triangula??o concomitante, estratégia incorporada concomitante e estratégia transformativa concomitante (CRESWELL, 2010).
As bases procedimentais de investiga??o podem ser a observacional, a experimental, a estatística e ou a clínica (GIL, 1999; 2010). Cada uma delas é classificada de acordo com as técnicas de coleta de dados utilizadas, sendo, portanto, a observa??o, a experimenta??o, a amostragem e a testagem, respectivamente.
As técnicas de investiga??o podem ser de coleta (levantamento bibliográfico, levantamento documental, entrevista, interven??o, experimenta??o, amostragem, testagem), de registro (planifica??o manual, planifica??o eletr?nica), de sistematiza??o (suposi??es, hipóteses, indaga??es, suspeitas, curiosidades, conjecturas), de organiza??o (categoriza??o, codifica??o, tabula??o), de análise ou interpreta??o (AD, AC, hermenêutica), de formaliza??o (TCC, disserta??o, tese, artigo, resenha, periódico, revista, software, patente, obra de arte) e de apresenta??o (exposi??o oral, exposi??o visual, exposi??o mista) (SEVERINO, 2007; GIL, 1999; 2010).
Os instrumentos de investiga??o tratam-se dos materiais utilizados para a coleta dos dados. Podem ser o protocolo observacional, o protocolo de entrevista, o diário de campo, as escalas sociais, os testes, o questionário, o formulário (MARCONI e LAKATOS, 2003; 2007; 2008)
Os recursos tratam-se dos requisitos necessários à viabilidade da investiga??o científica. Podem ser tecnológicos (hardware, software, materiais escolares, laboratórios de informática, bibliotecas), financeiros (valores monetários, bolsas de estudo, ajudas de custo, premia??es), humanos (grupos de pesquisa, orientadores, coorientadores, coautores, examinadores, colaboradores, normas justas) e tempo (cronogramas executáveis, metas alcan?áveis).
Os lócus tratam-se dos espa?os físicos, isto é, os lugares onde s?o realizadas as etapas da investiga??o científica. Podem ser de coleta (uma biblioteca), de registro (um telecentro), de sistematiza??o (uma pra?a), de organiza??o (um albergue), de análise ou interpreta??o (uma feira de domingo), de formaliza??o (uma universidade) e de apresenta??o (um encontro universitário).
Finalmente,os pilares epistemológico (estratégico/diretivo), lógico (tático/gerencial) e técnico (funcional/operacional) da metodologia da pesquisa científica, processo compreendido por uma investiga??o sistemática, estruturada e rigorosa que objetiva produzir um tipo de conhecimento considerado mais seguro, mais confiável – ainda que inacabado, provisório e, portanto, sujeito a aprofundamentos ulteriores –, precisam satisfazer três critérios de verdades: a sintática (enunciados lógicos, coerentes), a sem?ntica (consistência na literatura crítica e nos fatos) e pragmática (exame pareado, aprova??o dos seniores no tema).
Desse modo, independente do ponto de partida do estudo (axiomas, hipóteses, tendências sintáticas, sem?nticas ou pragmáticas), uma vez vencendo todos os testes de falseabilidade, o conhecimento n?o é rejeitado e passa a gozar de elevado status de cientificidade dentro e fora da comunidade científica, alcan?ando – ou pelo menos buscando alcan?ar – a universalidade científica (GILES, 1979; K?CHE, 1997; MENEZES,1938).

METODOLOGIA

Com fundamentos em renomados autores sobre metodologia da pesquisa científica, tais como Bêrni e Fernandez (2012), Teixeira (2012), Eco (2012), Vanconcellos (2010), Creswell (2010), Menezes (1938), Giles (1979), K?che (1997), Marconi e Lakatos (2003; 2007; 2008), Gil (1999; 2010), dentre vários outros, foram utilizados, para a adequada elabora??o do presente artigo científico, os seguintes métodos:

          1. Eixo epistemológico: método crítico-dialético (ou histórico-estrutural)

Considerando que os fatos sociais n?o podem ser compreendidos quando considerados isoladamente, abstraídos de suas influências políticas, econ?micas e culturais, a tendência metodológica crítico-dialética fornece as bases para uma interpreta??o din?mica e totalizante da realidade (GIL, 1999, 2010). Para Oliveira (1997, p. 69), s?o as seguintes as leis da dialética:


a) Cada coisa é um processo, isto é, uma marcha, um tornar-se. Se se examina uma pera, vê-se que é uma síntese moment?nea deste processo. Antes de ser pera foi flor e, posteriormente, poderá ser uma árvore. Conclui-se que está, no momento, submetida a uma lei interna de movimento. Dessa forma, as coisas n?o s?o consideradas como realizadas, mas, isto sim, em processo de realiza??o. As coisas se modificam e se transformam em virtude das leis internas, do seu autodinamismo e das contradi??es que encerram.
b) Existe um encadeamento dos processos. A flor se modifica em pera, esta em árvore e a árvore em húmus, este em novos processos vitais, químicos ou físicos, meio ambiente, etc. O mundo é o conjunto de todos os processos, onde tudo sofre uma transforma??o concentrada e progressiva. Este encadeamento dos processos n?o é circular, mas espiral. Basta ver que uma pera gera uma árvore, mas uma árvore gera milhares de peras, que n?o s?o integralmente idênticas à ancestral.
c) No movimento dialético, as coisas trazem em si suas contradi??es. S?o levadas a transformar-se no seu contrário. O vivo, por exemplo, caminha para a morte. Conclui-se, de acordo com Hegel, que uma coisa é ao mesmo tempo ela própria Tese e uma contrária – Antítese. A coisa no momento é simplesmente uma Síntese. No método dialético temos duas divis?es opostas: a que leva o ser para a sua constru??o, para ser precisamente o que n?o é.
d) Em várias oportunidades, um processo que se orienta em ritmo quantitativo de repente muda qualitativamente. Considera-se qualitativo quando ocorre a mudan?a na natureza. Se quisermos uma certa quantidade de água, sua temperatura vai subindo quantitativamente 10, 15, 20 … 90 graus centígrados; aos 100 graus, entretanto, ocorre uma mudan?a brusca de estado físico. Ela entra em ponto de ebuli??o. Trata-se de uma mudan?a qualitativa. Ela deixa o estado líquido e passa para o gasoso, evapora??o.
Por estas raz?es, percebe-se que no encadeamento dos processos dialéticos as transforma??es acontecem quantitativa e qualitativamente (OLIVEIRA, 1997). No presente artigo, tal método se justifica devido à necessidade de historiciza??o do objeto de pesquisa, levando-se em considera??o suas causas e seus efeitos em todas as áreas de conhecimento e em todos os campos da vida humana (TEIXEIRA, 2012; VERGARA, 2012; VASCONCELLOS, 2010).
O conhecimento é, de fato, construído, estruturado, individual e coletivamente, ou seja, historicamente. N?o só por meio de experiências nem só por meio de abstra??es é que se constrói o conhecimento, sendo que, por essa raz?o, ainda que existam determinados campos de uma área do saber de caráter cientificista (i.e., teorético, abstrato), e outros de caráter tecnicista (i.e., prático, concreto), o conhecimento de toda e qualquer área de conhecimento precisa ocorrer nas duas formas, simultaneamente ou n?o, mas as duas para se tornar completo, adequado às realidades que vivenciamos (VASCONCELLOS, 2010; ECO, 2012; TEIXEIRA, 2012; VERGARA, 2012).

            2. Eixo lógico: método hipotético-dedutivo

A base estrutural dedutiva consiste no método de estrutura de pensamento mais utilizada, aceita, respeitada e defendida pelos cientistas racionalistas, devido ao nível de certeza por ela produzido (B?RNI e FERNANDEZ, 2012). Historicamente, esse método originou outros dois bem parecidos no que tange à estrutura de pensamento: o axiomático-dedutivo e o hipotético-dedutivo. Sobre esses aspectos, Bêrni e Fernandez (2012, p. 49) ratificam:


No método dedutivo, o caminho é inverso àquele seguido no método indutivo, uma vez que, partindo de alguns enunciados de caráter universal, inferem-se enunciados particulares. Como fruto do desenvolvimento conjunto da lógica e da matemática, a partir do final do século XIX, o método dedutivo pode ser aplicado a dois esquemas, historicamente mais recentes, que s?o o axiomático-dedutivo e o hipotético-dedutivo.
O primeiro caso é útil quando as premissas de partida s?o axiomas, n?o demonstráveis, como no caso das ciências formais. No segundo, ilustrado pelas ciências empíricas, os melhores resultados emergem de situa??es em que as premissas sejam hipóteses que se refiram a algum aspecto da realidade. [...]


Com base nos pressupostos apresentados, deduz-se que o método dedutivo é a base mais confiável, razoável, e, portanto, segura de se estruturar o pensamento no processo de produ??o de conhecimento (B?RNI e FERNANDEZ, 2012).

           3. Eixo técnico: método observacional n?o participante bibliográfico

a) Abordagem de pesquisa: qualitativa

Considera-se abordagem qualitativa aquela cujos dados e linguagem sejam predominantemente alfabéticas. Sobre essa abordagem de pesquisa, Rodrigues (2007, p. 38) explana:


Qualitativa é a pesquisa que - predominantemente - pondera, sopesa, analisa e interpreta dados relativos à natureza dos fen?menos, sem que os aspectos quantitativos sejam a sua preocupa??o precípua, a lógica que conduz o fio do seu raciocínio, a linguagem que expressa as suas raz?es. Também n?o denota filia??o teórico-metodológica, nem implica o uso de hipótese, de experimenta??o ou de qualquer outro detalhe. Sintetizando: qualitativa é a denomina??o dada à pesquisa que se vale da raz?o discursiva. [...]

Buscou-se em tais dados e linguagem a compreens?o da metodologia da pesquisa científica, em todos os seus aspectos.

b) Base procedimental: observa??o

A observa??o é a técnica mais utilizada para a coleta de dados, e se faz presente em toda pesquisa científica, haja vista que é por meio dela que se realiza a revis?o bibliográfica e ou documental do tema selecionado para investiga??o. Todavia, embora a literatura crítica apresente vários tipos de observa??o, existem basicamente dois tipos dela: a direta, ou participante, que constitui uma técnica aplicada in loco, ou seja, no local onde se encontra o objeto do estudo; e a indireta, ou n?o participante, que constitui uma técnica aplicada à dist?ncia do local onde se encontra o objeto de estudo.
Quer a observa??o participante, utilizada por exemplo na pesquisa-a??o, em estudos de casos observacionais e na etnografia participante, quer a observa??o n?o participante, utilizada por exemplo na pesquisa bibliográfica, na pesquisa documental ou na etnografia n?o participante, existem cuidados importantes que precisam ser tomados. Sobre esse aspecto, Martins (2008, p. 109) salienta:


A observa??o consiste em um exame minucioso que requer aten??o na coleta e análise dos dados. Para tanto, a observa??o deve ser precedida por um levantamento de referencial teórico e resultados de outras pesquisas relacionadas ao estudo. Formalmente, é desejável a constru??o de um protocolo de observa??o, que, evidentemente, fará parte do protocolo do Estudo de Caso. Observar n?o é apenas ver. A validade (será que se está observando aquilo que de fato se deseja observar?) e a confiabilidade, ou fidedignidade (será que sucessivas observa??es do mesmo fato ou situa??o oferecem resultados semelhantes?) poder?o ser atingidas se a observa??o for, rigorosamente, controlada e sistemática. Implica em um planejamento cuidadoso do trabalho e prepara??o do observador. O plano delimitará o fen?meno a ser estudado, indicará o que se deve observar, as maneiras de se observar, a dura??o, periodicidade, modo de registros e controles para garantia da validade e confiabilidade. [...]


A observa??o pode ser direta, denominada observa??o participante (OP), quando o observador-pesquisador participa dos eventos a serem estudados, ou pode ser indireta, denominada observa??o n?o participante (ONP), quando o observador-pesquisador se vale somente da literatura crítica sobre os eventos a serem estudados sem, contudo, deles participar. Distinguindo os dois tipos de observa??o, Martins (2008, p. 25) explana:

[...] A OP é uma modalidade especial de observa??o na qual o pesquisador n?o é apenas um observador passivo. Ao contrário, o pesquisador pode assumir uma variedade de fun??es dentro de um Estudo de Caso e pode, de fato, participar dos eventos que est?o sendo estudados. O observador-pesquisador precisará ter permiss?o dos responsáveis para realizar o levantamento e n?o ser confundido com elementos que avaliam, inspecionam ou supervisionam atividades. O grande desafio do investigador é conseguir aceita??o e confian?a dos membros do grupo social onde realiza o trabalho de campo [...]


           
As principais formas da observa??o participante s?o a entrevista, bastante utilizada nos estudos de caso, nas pesquisas de campo em geral, nas biografias e nas etnografias n?o participantes (VERGARA, 2012; YIN, 2010), e a interven??o, utilizada nas pesquisas-a??o (THIOLLENT, 2011). Por sua vez, as principais formas da observa??o n?o participante s?o os levantamentos bibliográficos (dados secundários), os levantamentos documentais (dados primários), e a leitura científica, utilizada em todas as pesquisas quando da revis?o da literatura e outras partes (GIL, 1999; 2010; SEVERINO, 2007).

d) Técnicas de pesquisa:

O levantamento bibliográfico

O levantamento bibliográfico visa à coleta de dados secundários, ou seja, aqueles que já foram submetidos a algum tipo de manipula??o, denominados literatura crítica. Ele é utilizado para a revis?o da literatura e, portanto, necessário a todas as espécies de pesquisa. Configura-se na técnica de coleta de dados dos livros e dos trabalhos acadêmicos em geral, tais como TCC’s, monografias, disserta??es, teses, artigos científicos, resenhas científicas, etc. Os seus instrumentos fundamentais s?o as bibliografias. Gil (2010, p. 29) explana sobre tal tipo de pesquisa com os seguintes dizeres:


A pesquisa bibliográfica é elaborada com base em material já publicado. Tradicionalmente, esta modalidade de pesquisa inclui material impresso, como livros, revistas, jornais, teses, disserta??es e anais de eventos científicos. Todavia, em virtude da dissemina??o de novos formatos de informa??o, estas pesquisas passaram a incluir outros tipos de fontes, como discos, fitas magnéticas, CDs, bem como o material disponibilizado pela internet.
Foram levantadas várias fontes bibliográficas sobre o tema do presente artigo, percorrendo de forma bastante abrangente, ainda que n?o exaustiva, a vasta literatura crítica sobre o tema investigado. Foi identificada, por meio desse processo, a imensa imprecis?o terminológica, taxon?mica e conteudal presente na mesma e buscou-se, na medida do possível, a sua elimina??o.

Análise de discurso

A análise de discurso (AD) é a técnica de interpreta??o de dados específica para a abordagem qualitativa. Ela está atrelada à metodologia das pesquisas observacionais, sendo bastante utilizada no campo das ciências sociais, visando descobrir fatos e causas do comportamento humano bem como compreender as intera??es humanas. Sobre tal técnica, Martins (2008, p. 55 e 58) elucida:


[...] Ao perseguir o desafio de construir interpreta??es, a Análise do Dicurso (AD) parte do pressuposto de que em todo discurso há um sentido oculto que pode ser captado, o qual, sem uma técnica apropriada, permanece inacessível. [...] A AD permite conhecer o significado tanto do que está explícito na mensagem quanto do que está implícito - n?o só o que se fala, mas também como se fala. [...]
A Análise do Discurso pode demonstrar que o que é lido n?o é a realidade, mas apenas um relato da realidade propositadamente construído de determinado modo, por determinado sujeito.


A diferen?a fundamental entre a AD e a AC – Análise de Conteúdo – é que a primeira é utilizada para analisar e interpretar dados qualitativos, ao passo que a segunda, dados quantitativos (MARTINS, 2008).

f) Instrumentos de pesquisa: o protocolo observacional

O protocolo observacional é o instrumento próprio das pesquisas observacionais. Trata-se de um meio para se registrar as informa??es produzidas durante a observa??o. Pode ser um caderno, um bloco de anota??es, ou mesmo uma página para rascunho. O objetivo é planificar tudo o que foi observado sobre o objeto de pesquisa, suas características, suas varia??es, as possíveis causas e os possíveis efeitos das varia??es, o que foi feito durante a observa??o, o que n?o foi feito durante ela e o (s) seu (s) respectivo (s) porquê (s). Comumente, o registro das informa??es no protocolo observacional é separado em notas descritivas (aquilo que se observa de fato) e notas reflexivas (as interpreta??es ou reflex?es daquilo que se observa). Sobre esses aspectos, Creswell (2010, p. 2015) ratifica:


[...] Os pesquisadores com frequência se engajam em observa??es múltiplas no decorrer de um estudo qualitativo e usam um protocolo observacional para registrar as informa??es. Ele pode ser de uma única página, com uma linha dividindo-a ao meio no sentido longitudinal para separar as notas descritivas (retratos dos participantes, reconstru??o de diálogo, descri??o do local físico, relatos de determinados eventos ou atividades) das notas reflexivas (os pensamentos pessoais do observador, tais como “especula??o, sentimentos, problemas, ideias, palpites, impress?es e preconceitos” [...]). Também podem ser escritas dessa forma as informa??es demográficas sobre o tempo, o local e a data do local de campo onde ocorreu a observa??o. [...]


Com base nos pressupostos apresentados, deduz-se que o protocolo observacional é instrumento fundamental nas pesquisas observacionais e que, para n?o dificultar ou mesmo impedir a sua adequada execu??o, ele só pode ser inutilizado quando substituído por outro instrumento equivalente, tal como o diário de campo.

Considera??es finais

A pesquisa científica tem grande import?ncia social devido ao seu poder de transformar a sociedade, resolvendo problemas e reestruturando processos econ?micos, políticos, tecnológicos, culturais, sociais e até mesmo científicos. Por exemplo, as grandes revolu??es sociais e industriais ocorridas nos últimos séculos tiveram a sua base nas descobertas científicas (K?CKE, 1997).
O método é um elemento muito importante para o desenvolvimento da ciência porque ele, quando adequado com o objetivo da pesquisa, com o objeto de estudo e com o problema, direciona a pesquisa da maneira correta para o conhecimento da verdade, maximizando os resultados obtidos e minimizando  tempo empregado na sua obten??o. Neste diapas?o, pode-se levar em conta as seguintes palavras de Soares (2003, p. 13):


Como exemplo da import?ncia do método para o desenvolvimento da ciência, pode-se lembrar que, no século XIX, objetivando estudar os neur?nios, o médico italiano Camilo Golgi desenvolveu um método de colora??o por prata que, ao microscópio, revelada toda a estrutura de um neur?nio, incluindo o corpo celular e seus dois principais tipos de proje??o ou prolongamento: os dentritos e os ax?nios. Com base no uso do método de colora??o por prata de Golgi, o histologista espanhol Santiago Ramón y Cajal conseguiu marcar as células individuais, mostrando dessa forma que o tecido neural n?o era uma massa contínua, mas uma rede de células distintas.
Hoje, existem inúmeros e avan?ados métodos de estudo do sistema nervoso, os quais s?o utilizados em conformidade com o objetivo da pesquisa, com o objeto de estudo e o problema. Por exemplo, um dos métodos utilizados para o estudo do sistema nervoso é o método de produ??o de les?es seletivas por meio de aplica??o múltipla e típica de drogas (neurotoxinas) ou, ainda, por meio de aplica??o de radia??o, com a finalidade de estudar os efeitos de determinada les?o no comportamento de um animal.


Por essas raz?es, realizar adequadamente a pesquisa científica passou a ser uma tarefa bastante séria e respeitada, dentro e fora do contexto acadêmico. As institui??es de ensino superior e de pesquisa passaram a adotar métodos mais rigorosos de avalia??o de seus pesquisadores bem como de suas respectivas produ??es científicas. Os estudos sobre o tema ganharam maior dissemina??o e destaque (SOARES, 2003; TEIXEIRA, 2012).
Entretanto, apesar dos grandes avan?os da ciência, mormente nos últimos séculos, a sua natureza hipotética a torna provisória, inacabada e infalível, tal como Soares (2003, p. 13-14) pontua:


Assim, pode-se afirmar que o conhecimento científico é uma cren?a verdadeira e justificada, fato este que nos leva a acreditar que o conhecimento acha-se essencialmente correlacionado com a verdade.
Apesar dessa afirma??o, n?o se pode esquecer que a ciência n?o é considerada como algo pronto, acabado ou definitivo. N?o é a posse de verdades absolutas e imutáveis, mas uma busca constante de explica??es e solu??es, de revis?o de seus resultados.
Dentro desses limites, a justifica??o das teorias científicas é um elemento da busca da verdade (mesmo que se saiba que a verdade absoluta das coisas em seu sentido ontológico ou mesmo empírico nunca será alcan?ada). Essa justifica??o só se constrói com base em um caminho próprio de cada ciência, ou, em outras palavras, no método científico, o qual se apresenta como um meio, um caminho para a busca da verdade.


No que tange à ética na pesquisa científica, ela é o elemento propulsor da autêntica cientificidade. Um trabalho n?o pautado na ética n?o merece, n?o pode e nem deve ser considerado científico. O respeito pela qualidade da pesquisa produzida só merece o pesquisador ético. A integridade científica dever ser o principal aspecto avaliado pelas institui??es de ensino superior (IES) e pesquisa quando das orienta??es destinadas aos seus pesquisadores discentes ou docentes. Práticas de combate às más condutas científicas devem ser disseminadas e defendidas pelas IES e pelos pesquisadores em suas pesquisas. Os Códigos de ?tica, tanto os nacionais como os internacionais, precisam ser respeitados.
A ciência está progredindo. Contudo, há barreiras impeditivas para um maior progresso científico, dentre as principais as imperfeitas interpreta??es humanas e as más adequa??es e ou aplica??es dos métodos de pesquisa por parte dos pesquisadores. O domínio da língua vernácula e do uso adequado dos três pilares da pesquisa científica, nesse presente artigo apresentados, cumprem o papel de minorar a imprecis?o terminológica, taxon?mica e conteudal sobre o tema, facilitando a sua compreens?o e o seu uso. Portanto, este artigo tem grande valor contributivo no campo da produ??o de um conhecimento razoavelmente seguro, válido, verdadeiro, e, por essa raz?o, denominado científico.

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